terça-feira, 7 de agosto de 2012




Os estudantes, ao entrarem na universidade passam por um período de grandes alterações. Eles precisam se adaptar a vida universitária, ao ritmo dos estudos, ao modo de estudo e saber conciliar seu tempo para que nenhum aspecto de sua vida pessoal acabe sendo prejudicado. Os estudantes que vieram de outras cidades, estados ou países, além desses fatores, ainda contam com a distância de casa, com a saudade dos pais e dos amigos, algumas vezes com os problemas de relacionamento com colegas de apartamento, etc. Enfim, é possível notar que o universitário está sujeito a vários fatores que muitas vezes estão relacionados com casos de depressão, o que por si só não é de grande preocupação, uma vez que é tratável, entretanto, quando casos de depressão estão inseridos em um ambiente de fácil acesso a drogas, onde o uso não é estigmatizado, como acontece em muitas universidades, isso torna-se preocupante.

E nesses casos os alucinógenos são, muitas vezes, usados como uma das soluções para essa depressão. Os alucinógenos possuem algumas substâncias que podem se ligar a neuroreceptores específicos, havendo inclusive estudos que demonstram que alguns princípios ativos promovem o alivio rápido e duradouro da depressão.O uso inicial, não só de alucinógenos, mas das drogas em geral, acontece por curiosidade, diversão, prazer ou para propiciar um momento relaxante. Seja qual for o motivo, isso pode levar a um caso de dependência posteriormente. Outro fator de risco de alucinógenos é que, como os jovens desconhecem a droga, acabam desconsiderando seus potenciais efeitos negativos, e podem acabar sofrendo acidentes ou então ter uma “viagem” ruim.

Os alucinógenos em geral, causam uma dependência mais psicológica do que física, uma vez que aqueles que buscam tal tipo de drogas estão procurando uma experiência diferente do que a vida cotidiana, eles acreditam que os alucinógenos lhes trarão um momento de criatividade mais intenso (o que não completamente errôneo), entretanto o custo dessa criatividade é algumas perdas cognitivas e habilidades, a curto ou longo prazo, como no caso do ecstasy, em que um único uso pode prejudicar os níveis de neurotransmissores por anos.O uso de drogas geralmente é maior em universitários do que no resto da população porque por estar um ambiente com uma vida social mais ativa e com um grupo de pessoas tão distintas existe uma grande quebra de preconceitos e tabus nas universidades, o estudante fica com a cabeça mais “aberta” a novas experiências, e, desse modo, mais suscetíveis a iniciar o uso de novas substâncias. Além disso, muitos estudantes universitários sofrem uma cobrança excessiva, prejudicando sua qualidade de vida, o que pode acabar fazendo com que procurem, nas drogas, uma saída para seus problemas emocionais. Os alucinógenos, que por alterarem a percepção de mundo do indivíduo e permitirem uma sensação de bem estar, muitas vezes são os escolhidos pelos universitários para serem a “válvula de escape” de seu cotidiano estressante. Porém, os pontos negativos, muitas vezes são ignorados, como: aumento do risco de acidentes automobilísticos, comportamento violento, comportamento sexual de risco, prejuízos acadêmicos, diminuição da percepção, pânico, etc.

Desse modo, campanhas de prevenção e conscientização em relação ao uso de alucinógenos devem estar focadas em alguns pontos essenciais, dentre os quais é possível citar: difundir os riscos oferecidos pelos alucinógenos, explicando seus pontos positivos, mas ressaltando os pontos negativos; detectar grupos de risco, caracterizados muitas vezes pela baixa auto-estima e pelo sentimento de frustração, por exemplo (alguns alucinógenos como o ecstasy faz com que as pessoas se percebam melhor e passem a gostar mais de si mesmas), e aconselhar acompanhamento psicológico; explicar a relação dos alucinógenos com determinadas religiões, demonstrando respeito as crenças individuais, mas informando sobre os princípios básicos da ação dessas substâncias e dos problemas trazidos; e, finalmente, propor aos jovens universitários formas mais saudáveis e menos perigosas para aliviar o estresse e propiciar uma melhora no autoconhecimento.

Esse é um trabalho feito por acadêmicos de medicina da Universidade Federal do Paraná que cursam a disciplina "Detecção Precoce De Abuso De Drogas". O blog foi criado com o intuito de informar a população sobre os efeitos e os risco de substâncias alucinógenas.

Quais Os Riscos


Em relação às campanhas de prevenção, o modo mais eficiente seria promover simultaneamente a atualização dos conhecimentos dos professores e a educação dos estudantes por meio de palestras e. Assim, os professores poderiam auxiliar na propagação da campanha de prevenção, oferecendo aos estudantes um espírito de parceria e assessoria com seus problemas, dúvidas e dificuldades em relação ao tema, bem como identificar precocemente nos estudantes os principais fatores de risco que levariam ao uso de alucinógenos. Entretanto, como nem sempre o uso desse tipo de drogas é por causa de um motivo específico, podendo ser simplesmente por curiosidade ou diversão, somente a conscientização dos professores é insuficiente. Os estudantes precisam saber que, apesar de poderem propiciar um momento inspirador, os riscos ainda existem.
Um meio interessante de conscientizar os estudantes seria logo na sua entrada na universidade, promovendo, no dia da matrícula ou na semana do calouro, campanhas de prevenção e divulgação das principais informações sobre os alucinógenos e seus riscos. Para tentar levar o assunto mais perto dos estudantes, seria possível elaborar projetos de prevenção juntamente com os centros e diretórios acadêmicos, bem como com as atléticas. Além disso, a implantação de aulas específicas sobre os alucinógenos poderia auxiliar na divulgação do conhecimento sobre o tema. Esses projetos devem sempre enfatizar a questão da não necessidade do uso dos alucinógenos para resolver os problemas pessoais nem para ser uma pessoa mais criativa.
E já existem evidências de que projetos desse tipo realmente funcionam, como é o caso do Programa de Prevenção e Tratamento do Uso de Drogas na USP (Produsp), que durante anos desenvolveu projetos desse tipo na Universidade de São Paulo.
Os estudantes da área da saúde, mais especificamente os de medicina, deveriam ser os “alvos” mais constantes dessas campanhas de conscientização, isso por dois motivos principais: primeiro porque eles deverão estar preparados para enfrentar casos como o de uso de alucinógenos em sua prática clínica, e para isso, precisam conhecer os principais efeitos das drogas e o que podem causar, além de saberem encaminhar o paciente corretamente após uma consulta; segundo porque já foi constatado em 1991 em um estudo feito em universidades norte-americanas, que o uso de psicodélicos é maior entre os estudantes de medicina do que entre os outros jovens da mesma faixa etária. Assim, um preparo psicológico mais intenso sobre os riscos da profissão e como enfrentar os problemas auxiliaria os futuros médicos a evitar o uso das drogas.